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MUM: O futuro do SEO bate à porta

Por: Leonardo Cruz, 8 de junho de 2021
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Como você deve imaginar, o grande desafio do Google é garantir que seus visitantes não tenham de fazer muitas pesquisas para obter a resposta desejada. E bem sabemos que apesar de ser uma excelente ferramenta, existem muitas pesquisas onde não conseguimos encontrar o que precisamos, mesmo avançando para a obscura segunda página.

Diante desse desafio, o Google anunciou o MUM (Multitask Unified Model) durante o Google I/O, evento onde a empresa mostra suas principais novidades. O MUM é uma forma de responder perguntas complexas que deixou a comunidade de SEO brasileira bastante atenta.  

Antes de tudo: contexto! 

Hoje no mundo são falados 6.912 idiomas. Cada um com suas regras gramaticais, gírias, expressões populares e erros. Como você pode imaginar, traduzir toda a complexidade da comunicação humana para as máquinas é um dos grandes desafios dos mecanismos de pesquisa. 

Em 2018, o Google deu um passo importante para eliminar essa barreira ao lançar o BERT, seu algoritmo baseado em inteligência artificial, capaz de traduzir a linguagem humana para os computadores. Pela primeira vez era possível entender a intenção da busca sem se prender exatamente a forma como as palavras-chaves eram digitadas. 

Essa atualização gerou um belo impacto na busca, afetando 10% dos resultados de pesquisas do Google.  A empresa de Mountain View agora conseguia entregar resultados mais alinhados com a intenção da busca, o que tornava a experiência de seus usuários muito melhor.

O que é MUM: Multitask United Model?

Se o BERT foi capaz de movimentar o Google, saiba que o MUM é uma versão atualizada dele, sendo 1.000 vezes mais poderoso que o sistema atual, e capaz de analisar conteúdo em 75 idiomas. 

Internamente, o Google trata sua chegada como um marco na evolução dos mecanismos de pesquisa, pois ele tem a capacidade de remover a barreira da língua durante o processo de busca.

Para entender um pouco melhor as possibilidades dessa mudança, imagine que alguém decide fazer um strudel e quer encontrar a melhor receita no Google. O que é mais confiável?

  1. a)     Uma receita criada por um conteudista brasileiro com pouca ou nenhuma experiência em culinária;
  2. b)     Uma receita feita e apresentada por um chefe alemão.

Não é difícil imaginar que, mesmo em outra língua, a resposta do chefe alemão será mais confiável. Diante disso, será que o site brasileiro ainda deve ter seu resultado apresentado primeiro?

Essa evolução também permite que o Google traga subtópicos úteis para se aprofundar no tema, como explicar qual o tipo de assadeira ideal para esse tipo de doce, qual é a temperatura correta do forno, entre outras coisas em diversos idiomas e entregar tudo em texto, vídeo e imagens no idioma em que você fez a pesquisa.  


O que pode acontecer com a chegada do MUM?

O idioma é uma barreira considerável para ter acesso ao conhecimento, e o MUM tem o potencial de eliminar parte desse empecilho. Ele pode aprender com fontes que não estão escritas no idioma no qual sua pesquisa foi escrita e ajudar a trazer essas informações para você.

Essa mudança me traz duas sensações completamente opostas. A primeira é a satisfação como usuário ao saber que o Google está se movimentando para dar o próximo passo em relação a busca. E a segunda é a de preocupação, já que os resultados orgânicos de países como o Brasil podem ser invadidos por informações geradas por sites estrangeiros.

Sem as informações necessárias, o que nos resta é especular o que o MUM pode ser, já que ele pode ser apenas uma forma de exibir melhores respostas para perguntas complexas ou até ser um novo tipo de resultado de pesquisa. Independente do que será, é provável que os mecanismos de pesquisa estejam prestes a dar um grande salto.

O que quero deixar como provocação é que, se em breve teremos um sistema capaz de rastrear dados não estruturados, lê-los, analisá-los e devolver de maneira a responder às mais diversas perguntas, que tipo de conteúdo devemos criar? Pode ser que em alguns anos o caminho para o tráfego orgânico seja menos focado nas dúvidas dos usuários, algo que o sistema terá potencial para responder utilizando IA, e mais direcionado em criar conteúdo envolvente e capaz de criar clientes mais engajados com a marca.

No momento, o que nos resta é aguardar as mudanças e preparar nossos sites com conteúdo único e produzido por pessoas relevantes, dados estruturados e uma boa experiência de navegação, pois o futuro da busca bate à porta. 

Leonardo Cruz é Coordenador de SEO da ZOLY. Marqueteiro de formação e programador de coração, enxerga a busca orgânica como uma importante ferramenta para distribuir conhecimento e encontrar contexto em um mundo cada vez mais complexo.

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