Pesquisa

Panorama UX: um retrato de uma área em ascensão

Por: Bianca Borges, março 4, 2020

O tema da pesquisa Panorama UX desse ano trouxe as percepções dos profissionais da área em relação à decisão tomadas pelos algoritmos

 

Por Bianca Borges*

 

A área de UX tem ganhado relevância a cada dia, e pra entender desse mercado em desenvolvimento, pesquisas direcionadas ao tema têm sido feitas. Uma delas é a Panorama UX, apresentada pela Carolina Leslie, Diretora de Produtos Digitais da ZOLY, no WIAD 2020.

Logo no início da palestra, Carolina tocou em um ponto importante: mesmo o WIAD sendo um evento focado na Arquitetura de Informação (AI), essa nomenclatura não é muito disseminada entre os profissionais da área.

“O que vem na cabeça de vocês quando aparecem essas duas letras (AI) juntas? Estamos em um evento chamado Dia Mundial da Arquitetura de Informação, e mesmo assim, aposto que muita gente pensou em inteligência artificial ao ler esta sigla”, afirmou a Diretora de Produtos Digitais da ZOLY.

Esse ano a Panorama UX, que está na sua 5ª edição, teve 1210 respondentes, e apenas 5 pessoas definiram sua função como arquitetos de informação.

“A Arquitetura de informação, como disciplina, perdeu relevância nos últimos anos e foi substituída por outras letrinhas como UX”, salientou Carolina.

O viés da pesquisa apresentado por ela, trouxe essa questão à tona e analisou a percepção que os profissionais têm sobre as decisões tomadas por algoritmos. Confira a seguir os principais insights.

 

Decisões tomadas por algoritmos

A Panorama UX constatou que 30% dos respondentes acreditam que as decisões tomadas por computadores estão livres de preconceitos humanos, e as pessoas que confiam mais na isenção das máquinas na hora da tomada de decisão são as mais velhas.

Entre a raça de pessoas que menos confiam nas máquinas estão os negros, apenas 18% acredita que elas sejam isentas de preconceitos humanos. Já as pessoas com deficiência são as que mais acreditam na isenção de opinião da tecnologia, 40% do total de entrevistados.

Para Carolina Leslie, essa opinião está relacionada com a experiência de vida de cada um:

“Não surpreende ver que negros, historicamente vítimas de preconceito, sejam mais céticos em relação às decisões tomadas por máquinas”.

Em relação à confiabilidade das decisões tomadas pela Inteligência Artificial, os entrevistados, de modo geral, as consideram mais eficientes do que justas. Como mostra o gráfico com quatro cenários atuais:

  1. Pontuação de finanças pessoais baseada em informações de uso da internet;
  2. Risco criminal para presos que podem se qualificar para liberdade condicional;
  3. Escaneamento automático de currículos;
  4. Avaliação automática de entrevistas de emprego em vídeo

Os recursos tecnológicos não estão livres de cometer erros. Já tivemos situações nas quais a tecnologia discriminou grupos de pessoas, como o caso da Apple, noticiado pelo The New York Times, e o sistema de recrutamento de inteligência artificial de pessoas da Amazon, divulgado pela Fortune.

 

Uso dos dados pessoais pelas plataformas de redes sociais

A Panorama UX também procurou saber se os profissionais da área consideram aceitável o uso dos dados pessoais pela tecnologia das plataformas das redes sociais. A utilização que foi mais bem aceita pelos respondentes foi a recomendação de eventos que tenham haver com a sua área. Em contra partida, a percepção de usar dados para fazer recomendações políticas é vista como totalmente negativa, 92% das pessoas não aprovam essa prática.

“A discussão sobre o bloqueio de propaganda política nas redes é bastante polêmica. Se um post aparece para apenas 100 ou 1000 pessoas, ele não está no âmbito do debate público, vira uma comunicação quase clandestina. Sou a favor de algum tipo de controle, mas aonde podemos traçar a linha sobre o que é, e o que não é propaganda política?”, indagou a Diretora de Produtos Digitais da ZOLY.

 

Humanos X Algoritmos

De acordo com Carolina Leslie, quando falamos da comparação entre decisões tomadas por humanos e por máquinas temos um grande campo de estudo. Ela trouxe três afirmações para a discussão no WIAD 2020.

  1.  Somos péssimos em tomar decisões;
  2. Máquinas não têm emoções, por isso, não carregam vieses;
  3. A tecnologia exerce um fascínio, quase mítico, sobre imaginário social

Sobre esses pontos, Carolina explicou:

“Os seres humanos não sabem tomar decisão, nós tomamos decisões enviesadas. Também acreditamos que as máquinas não têm vieses, e que a tecnologia vai resolver todos os nossos problemas, dando as respostas que a gente precisa, mas isso não é verdade.”

Essa questão de colocar a tecnologia como a principal solucionadora de todos os empecilhos não está restrita a pessoas inexperientes. Em uma coletiva de imprensa, Mark Zukemberg citou mais de 30 vezes a palavra “Inteligência Artificial” como a solução dos problemas.

A Diretora de Produtos Digitais da ZOLY terminou a apresentação da pesquisa com uma reflexão a respeito desse assunto:

“Não seja essa pessoa que confia plenamente na tecnologia, entenda como funciona o algoritmo. A gente está ganhando escala muito rápido e ficando presos no passado, porque falta colocar em prática o nosso pensamento crítico. Nós temo que auditar os algoritmos e questionar o que está por trás das interfaces. A gente, como arquitetos da informação, tem o papel de questionar isso”, finalizou.

 

Conteúdo Bônus

O objetivo principal da pesquisa Panorama UX desse ano era entender qual a percepção dos profissionais de UX em relação aos algoritmos. Apesar disso, outros tópicos como Salários e o Perfil dos Profissionais também tiveram espaço no estudo.

>> NESSE TEXTO você encontra mais dados do Panorama UX voltados à questão salarial.

>> E AQUI estão as informações sobre diversidade do perfil dos profissionais da área.

 

(*) Bianca Borges é Analista de Comunicação Sênior da ZOLY. Jornalista, formada pela Universidade Anhembi Morumbi, possui experiência nas áreas de Conteúdo, Assessoria de Imprensa e Gestão de Mídias Sociais. Gosta de escrever sobre diversos assuntos mas, atualmente, seu foco é o Marketing Digital e Data Business.

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